Pão nosso de cada dia


Você que busca uma alimentação saudável deve ter percebido que nos últimos anos o trigo começou a ser questionado. Mas você sabe o por quê?

É no trigo que se encontra a forma mais concentrada de glúten, uma proteína presente também na cevada e no centeio (e muitas vezes também na aveia, mas por esta ter tido contato, ou contaminação cruzada com os elementos fontes). Antigamente esse produto era consumido de vez em quando, ao contrário dos últimos tempos concorda? A extensão do plantio de trigo aumentou e a sua manipulação que era natural, mantendo, assim, muitos nutrientes e fibras, hoje se perdeu no amplo processo de refinamento, já que a indústria encontrou na larga produção um enorme mercado onde o tradicional pãozinho de cada dia é um mero coadjuvante.

Com uma grande exposição ao glúten presente em vários alimentos, o nosso organismo passou a apresentar uma reações antes desconhecidas, e hoje cada vez mais comuns, como a intolerância ao glúten, e, veja bem, não estamos falando de doença celíaca. Essa intolerância tem sintomas que dificilmente são associados ao glúten, como: má digestão, diarréia, constipação, dor de cabeça, cansaço, artrite, obesidade até mesmo depressão. Muitas pessoas comem o pãozinho de cada dia, sentem esses sintomas, mas não encontram a causa. Então aqui vai um alerta: Já pensou que poderia ser o glúten?

O profissional que fará este diagnóstico é o gastroenterologista e após identificada a intolerância a dieta precisa ser totalmente readequada. Aqui entra o nutricionista.

No primeiro momento pode existir a dúvida de como substituir, por isso mesmo a procura pelos profissionais habilitados para isso, ou carências nutricionais podem acontecer. Pode parecer impossível, mas existem, sim, farinhas bem mais nutritivas como as de amêndoas, banana verde, arroz, coco, grão-de-bico, entre outras.

Mas enfim, o glúten é realmente o grande vilão?

Como falado anteriormente, alguns grãos como trigo, centeio e cevada possuem essa proteína chamada glúten. Ele tem característica fibrosa e elástica e atua como uma espécie de “liga” quando entra em contato com a água, conferindo uma textura maravilhosa para pães, elasticidade em pizzas, bolos fofinhos e biscoitos crocantes, por isso mesmo é tão querido na gastronomia.

Mas vale destacar que o problema do trigo não é apenas o glúten, que hoje possui10 vezes mais concentrado no grão que no tempo de nossos bisavós. Um estudo realizado por cientistas de universidades da Espanha e dos Estados Unidos fizeram o cruzamento entre duas espécies de trigo: trigo comum e trigo duro como objetivo de reduzir a quantidade protéica, ou seja, de glúten em uma nova planta. Esse grão foi testado em pacientes contendo intolerância, sem sucesso, apartir daí foi estudado indício de que o herbicida glifosato possa ser o responsável pela alta intolerância e/ou alergia ao trigo causando deficiências de outros aminoácidos, como o triptofano, tirosina e metionina responsáveis pela saúde integral do organismo.

Já ouviu falar do herbicida glifosato? Não? É um dos dez agrotóxicos mais consumidos no Brasil, mas esse já é um outro assunto.

Pergunte ao seu nutricionista como é possível expor-se de maneira adequada e tolerada pelo organismo a este alimento tão apreciado no mundo.

 

Kelly Priscila Barbosa Lima

Nutricionista

 

REFERÊNCIAS:

CARREIRO, D. M, Abordagem nutricinal na enxaqueca e dor de cabeça, ed padrão: 2017; CARREIRO, D.M. Alimentação: Problema e solução para doenças crônicas. 2 ed. São Paulo: Metha, 2008; Glúten: o que você precisa entender: 2014. Diário Asbran (Associação Brasileira de Nutrição); Susana Sánches-Léon, Javier Gil-Humanes, et al. Low-gluten, non-transgenic wheat engineered, 2017. Plant Biotechnology Journal.